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Ayrton Sena se revira no túmulo com mais uma mutilação da Prefeitura de Lauro de Freitas ao kartódromo com o seu nome

Depois de demolir 40 boxes e retirar um pedaço da pista suficiente para que o Kartódromo perdesse a chancela internacional, a PLF segue com seu objetivo de ir mutilando, pouco à pouco, o kartódromo até o seu fim.

 
A PMLF deu mais um paço para acabar com o kart na Bahia.
Por Miguel Brusell
Fotos: ABK
 
Por aqui, ficou conhecido o adágio popular que diz que a Bahia é a terra do já teve. Pois bem, um dia, a Bahia já teve um kartódromo internacional capaz de receber provas nacionais e até mundiais. Até o momento em que a Prefeitura de Lauro de Freitas achasse que não existia, em todo o município, um outro terreno para construir o Centro Olímpico de Judô.
 
Ganhou o Judô - que poderia ter sido alojado em outro local e não perderia nada - e perdeu o kart que é a porta de entrada do automobilismo baiano e ficou sem o seu Kartódromo Internacional, tirando a possibilidade da realização de provas nacionais e internacionais. Aliás, foi em uma etapa do Brasileiro, quando ainda era disputado no Kartódromo do Stiep, que o garotinho Ayrton Senna deu show, no final dos anos 70, chegando duas voltas na frente do segundo colocado, em meio a uma chuva intensa.
 
Apesar dos campeonatos de kart serem disputados desde o final dos anos 60 na Bahia, com certeza, a “passagem espetáculo” do maior ídolo do automobilismo brasileiro pelo kartódromo do Stiep, influenciou muita gente a adotar o kartismo como esporte preferido. Passados quase 40 anos, aquela performance do menino com o capacete com as cores da bandeira do Brasil ainda está na mente dos privilegiados que puderam acompanhar.
 
Tanto foi que, apesar das constantes mutilações, nestes mais 50 anos deste em que foi alinhado o primeiro grid, em 1961, no Loteamento Clemente Mariano, entre os bairros da Barra e da Graça, o kart baiano vem se reinventando e passando por cima das diversas crises para manter acesa a disputa, sempre com o esforço dos próprios pilotos.

A ABK chamou a polícia para impedir mais uma mutilação.
Foi assim, com muito esforço, que os pilotos conseguiram juntar os cacos do que restou do ex-Internacional Kartódromo Ayrton Senna, para, ao menos, continuar com o Campeonato Baiano já que, agora, não temos mais condições de receber provas nacionais por falta de Kartódromo dentro dos padrões, como já tivemos um dia.
 
Depois de vários investimentos, com o ex-Kartodromo Internacional passando por várias reformas e melhorias para atingir a condição melhor que suficientes para realização de uma etapa do Baiano, a Prefeitura de Lauro de Freitas segue com a sua missão de mutilar até acabar com a porta de entrada do automobilismo baiano.
 
Para continuar a sua sina destruidora, a PMLF quer remanejar ambulantes da Praia de Ipitanga, para o ex-Internacional Kartódromo Ayrton Senna. De acordo com a Associação Baiana de Kart, a gestão municipal quer usar a área para instalar 11 contêineres, o que pode comprometer as atividades do espaço. Segundo o vice-presidente da ABK, João Gonçalves, há três meses a prefeitura procurou a associação para solicitar o uso de parte do kartódromo para instalar contêineres que seriam usados nas obras da orla.
 
O pedido foi aceito, mas a condição era de que os equipamentos fossem colocados em um local que não atrapalhasse as corridas. Eles entraram em negociação para delimitar o espaço, mas, ainda segundo o presidente, as conversas foram encerradas logo em seguida após a prefeitura não demonstrar mais interesse.
 
Na manhã desta quinta, a surpresa: a PMFL enviou o primeiro equipamento e o aviso que outros 10 seriam realocados ao longo do dia. Representantes da associação acionaram a polícia para impedir a entrada dos contêineres e ambas as partes foram conduzidas à 23º delegacia. “De uma hora para outra, a prefeitura simplesmente parou de negociar. Procuramos a gestão por umas quatro ou cinco vezes para tentar entender como seria, mas hoje eles apareceram aqui com os equipamentos e supostamente com um alvará, mas a posse do terreno é nossa. Esperávamos uma negociação, não pode entrar na casa de ninguém sem a autorização do dono”, explicou Gonçalves.
 
A Associação teve o direito ao espaço por 30 anos, quando o governo do Estado e a prefeitura de Lauro negociaram o uso do terreno e o kartódromo foi realocado do Bairro de Stiep, em Salvador, para a Praia de Ipitanga. Há um ano e meio, no entanto, ABK briga na justiça com uma igreja que reivindica parte de uma área. “Não invadimos isso aqui, viemos através de uma concessão legal. Temos aqui 70 pilotos com dinheiro investido no esporte, mecânicos que trabalham aqui e precisam dessa área”, completa Gonçalves. 
 
O EsporteNaRede procurou a prefeitura de Lauro de Freitas, mas até a publicação da matéria não obteve retorno.
 

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